
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, determinou que seja levada a julgamento uma denúncia de corrupção envolvendo três deputados do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, cabe ao ministro Alexandre de Moraes, presidente da Primeira Turma do STF, definir a data do julgamento, se os parlamentares se tornarão réus ou se a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República será rejeitada.
A acusação, que remonta a setembro de 2024, diz respeito à cobrança de propina superior a 1 milhão de reais por parte dos deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e o suplente Bosco Costa (PL-SE). A investigação aponta que a quantia teria sido solicitada em troca da liberação de emendas parlamentares que somam mais de 6 milhões de reais.
O processo deverá acirrar a divisão interna dentro do PL. Desde que a denúncia foi formalizada, o ex-presidente Jair Bolsonaro tem pressionado pela expulsão dos envolvidos. Em entrevistas recentes, Bolsonaro afirmou que haverá um “freio de arrumação” e destacou que “esses caras são contumazes em fazer besteira e têm que ir embora porque mancha todo mundo”.
Apesar da pressão para que os deputados sejam expurgados do partido, eles continuam filiados ao PL, com o respaldo do presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, que tem o poder de determinar qualquer sanção. Valdemar, por sua vez, defende que o PL não é um “tribunal de julgamento” e argumenta que, assim como os deputados, ele e Bolsonaro também foram alvos da Polícia Federal e podem, em breve, ser atingidos por alguma denúncia.
A cúpula do partido também sustenta que as investigações são de natureza política e que cabe à legenda apoiar seus membros até que haja uma condenação formal.
Polícia Federal grava deputado em ação controlada
Um dos casos mais emblemáticos da denúncia é o do deputado Josimar Maranhãozinho. Em 2021, a Polícia Federal flagrou o parlamentar em uma ação controlada, durante a qual ele foi filmado entregando uma caixa com 250.000 reais. A investigação suspeita que esse montante tenha origem no desvio de emendas parlamentares. Josimar, no entanto, nega as acusações e afirma que os recursos estavam relacionados com negócios de compra e venda de gado.
Apesar da gravação, a liderança do PL tem minimizado o episódio, tratando-o como uma armadilha política local.
Peso eleitoral de Maranhãozinho em jogo
Outro fator que pesa na decisão interna do partido é o sucesso eleitoral de Josimar Maranhãozinho e de sua esposa, a deputada Detinha (PL-MA). Juntos, o casal elegeu 40 dos 517 prefeitos do PL nas eleições municipais de 2024. Para interlocutores do partido, esse ativo político não poderia ser descartado com base apenas nas denúncias.