
Aos 82 anos, Gilberto Gil se prepara para sua última turnê, "Tempo Rei", que estreia, neste sábado (15), na Arena Fonte Nova, em Salvador. O artista ressalta que não está se despedindo da música nem dos palcos, mas sim das grandes turnês e da rotina exaustiva da estrada.
Uma nova fase na carreira
Gil explica que deseja retomar a essência de sua trajetória musical, privilegiando shows menores e mais intimistas. "Venho de uma época em que essa dimensão atual [de show] não era nem imaginada. Não havia condições técnicas ou de logística, nem expectativa dos criadores e dos consumidores de algo nesses moldes."
Com quase seis décadas de carreira, o artista relembra momentos marcantes, como sua histórica apresentação no Festival de Música Popular Brasileira de 1967, ao lado dos Mutantes, quando introduziu a guitarra elétrica na música brasileira. "Ali era a dificuldade do enfrentamento, aquela situação nova", recorda.
A influência do Tropicalismo
O cantor enfatiza que o Tropicalismo, movimento que ajudou a fundar ao lado de Caetano Veloso e Gal Costa, teve papel fundamental na modernização da música brasileira. Ele destaca a influência da tecnologia na produção musical contemporânea e aponta gêneros, como tecnobrega, piseiro e funk como herdeiros dessa revolução.
"Quase toda a música atual é inserida nesse campo das novas tecnologias. São elementos transformadores da própria condição artística", afirma. Ele também reforça o papel da Tropicália na popularização da cultura pop no Brasil.
Enfrentamento político e identidade racial
Além da revolução estética, o Tropicalismo também teve forte impacto político. Preso e exilado durante a ditadura militar, Gil lembra as diferentes reações que ele e Caetano Veloso tiveram diante da repressão. "Sou canceriano, mais conformado com o sofrimento", diz. Durante esse período, compôs "Cérebro Eletrônico" e "Aquele Abraço", canção que se tornou símbolo de resistência e que, segundo ele, teve múltiplas interpretações.
A reflexão sobre sua identidade racial também se aprofundou com o exílio. No Pasquim, em 1970, Gil rejeitou o prêmio Golfinho de Ouro e denunciou o racismo estrutural. "A tomada de consciência da minha condição de negro foi aflorando ao longo do tempo e culminou com um momento de agudeza quando fui preso e expulso do país."
Com "Tempo Rei", sua turnê de despedida, Gilberto Gil reafirma sua trajetória como um dos grandes nomes da música brasileira, celebrando sua história enquanto dá os primeiros passos para uma nova fase mais tranquila e intimista.
Datas da turnê
• 15 de março – Salvador – Casa de Apostas Arena Fonte Nova
• 29 de março – Rio de Janeiro – Farmasi Arena (ESGOTADO)
• 30 de março – Rio de Janeiro – Farmasi Arena (ESGOTADO)
• 5 de abril – Rio de Janeiro – Farmasi Arena (DATA EXTRA)
• 6 de abril – Rio de Janeiro – Farmasi Arena (DATA EXTRA)
• 11 de abril – São Paulo – Allianz Parque (ESGOTADO)
• 12 de abril – São Paulo – Allianz Parque (ESGOTADO)
• 25 de abril – São Paulo – Allianz Parque (DATA EXTRA)
• 26 de abril – São Paulo – Allianz Parque (DATA EXTRA)
• 31 de maio – Rio de Janeiro – Marina da Glória (DATA EXTRA)
• 1 de junho – Rio de Janeiro – Marina da Glória (DATA EXTRA)
• 7 de junho – Brasília – Arena BRB Mané Garrincha
• 14 de junho – Belo Horizonte – Arena MRV
• 5 de julho – Curitiba – Ligga Arena
• 9 de agosto – Belém – Estádio Mangueirão
• 6 de setembro – Porto Alegre – Estádio Beira-Rio
• 15 de novembro – Fortaleza – Centro de Formação Olímpica
• 22 de novembro – Recife – Classic Hall