
A polícia deflagrou a Operação Criminalis Littera com o objetivo de desarticular um plano elaborado por integrantes da facção Comando Vermelho (CV) no estado do Tocantins. Segundo as investigações, o grupo planejava uma rebelião com reféns, fuga em massa e ataques coordenados contra autoridades públicas, incluindo juízes, promotores, delegados e policiais penais.
De acordo com fontes ligadas à área de segurança, a intenção da facção era atingir diretamente o Estado, por meio de atos de retaliação e intimidação institucional.
A operação foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Tocantins (Ficco-TO), formada por agentes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em unidades prisionais localizadas nas cidades de Palmas, Araguaína e Cariri, com ordens expedidas pela Justiça estadual.
As ações tiveram como foco detentos ligados à facção, que, mesmo reclusos, estariam ordenando ataques e elaborando estratégias criminosas. As condutas investigadas envolvem crimes, como ameaça, apologia ao crime, falso alarme, organização criminosa e tentativa de abolir o Estado democrático de direito por meio da violência.
Clima de tensão em unidades prisionais
Um policial que atua diretamente no sistema prisional do Tocantins relatou o ambiente de instabilidade nas unidades.
“A animosidade entre presos e policiais aumenta a cada dia. A Segurança Pública sabe que é uma guerra declarada. A trégua entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) é só uma forma de unir forças para impulsionar o crime organizado e derrubar o Estado.”
Segundo o agente, há cerca de um mês, uma ordem interna da facção, conhecida como “salve”, teria colocado dez policiais penais como alvos de possíveis retaliações. De acordo com o relato, o policial entrevistado está entre os nomes citados.